Eleições escancaram cenário crítico da economia argentina

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Aproveite a leitura de hoje!

 

Os argentinos foram às urnas no último domingo (22) para eleger o próximo presidente do país, mas a definição acabou ficando para o segundo turno, marcado para 19 de novembro.

A disputa agora será entre os candidatos Sergio Massa, vencedor do primeiro turno com 36,68% dos votos, e Javier Milei, segundo colocado com 29,98%.

Ela acontece em um dos piores momentos já atravessados pela economia argentina, com a pobreza atingindo mais de 40% da população, a inflação acumulando 138% nos últimos doze meses e a taxa de juros ultrapassando os 130% ao ano.

Números que, por si só, deveriam jogar contra Massa, atual ministro da Economia do país.

Representante da coalizão União pela Pátria, ele é advogado, tem 51 anos e é o candidato peronista, apoiado pelo atual presidente Alberto Fernández.

Assumiu o Ministério da Economia há um ano, em um dos piores momentos da prolongada crise que atormenta a população. Antes disso, presidia a Câmara dos Deputados da Argentina.

Massa propõe manter a intervenção do Estado na economia e o diálogo contínuo com órgãos internacionais em busca de financiamento da dívida do país.

Em tese, representa “mais do mesmo”, motivo pelo qual sua vitória no primeiro turno foi recebida com surpresa pelos especialistas, contrariando inclusive o que previam a maioria das pesquisas.

Do outro lado, está o até então favorito Javier Milei. Representante da aliança Liberdade Avança, tem 52 anos, é economista e se declara “anarcocapitalista”, corrente que defende privatizações e a ausência do Estado.

Milei já disse que vai “dinamitar” o Banco Central e defende a privatização dos sistemas de saúde e de educação. Seu propósito é a redução da máquina pública.

Uma de suas propostas é dolarizar a economia e abandonar o desvalorizado peso argentino. Além disso, promete cortar relações com a China e limitar o comércio com o Brasil.

Em resumo, o segundo turno colocará frente a frente dois candidatos com pontos de vista diametralmente opostos: um do duradouro movimento peronista – que governou a Argentina durante a maior parte dos últimos 20 anos e sobrevive apesar dos resultados econômicos – contra o libertário radical que quer dolarizar a economia para acabar com o fantasma da hiperinflação.

No mercado, mais um mês de forte volatilidade se avizinha, na medida em que o segundo turno era um cenário temido pelos investidores de títulos argentinos por prolongar o cenário de incerteza no país.

Os bonds em dólares do país – já negociados abaixo dos 30 centavos por dólar – prolongaram as perdas na segunda-feira (23), com cinco deles, incluindo a nota de 2029, figurando entre as de pior desempenho nos mercados emergentes.

Já o peso pode se enfraquecer nos mercados monetários paralelos usados para contornar os controles oficiais, na expectativa de que os argentinos corram para os dólares à medida que o governo continua com políticas de gastos que a princípio alimentam a inflação.

À frente do Ministério da Economia, Massa cortou impostos nas últimas semanas e aumentou gastos sociais. Sua vantagem no primeiro turno pode indicar que seguirá essa estratégia.

De acordo com Alejo Costa, estrategista-chefe do BTG Pactual em Buenos Aires, o governo vai fazer tudo o que puder antes do segundo turno, estendendo as políticas recentes.

Uma possibilidade é tentar conquistar os eleitores com uma nova rodada de gastos que o país não pode arcar, alimentando ainda mais a inflação e colocando mais pressão de queda sobre o peso.

Nos últimos meses, Massa concedeu cheques sociais aos trabalhadores, bônus aos aposentados e reduções de impostos para 99% da população, sendo que este último deverá custar ao governo cerca de 0,8% do PIB, ou cerca de US$ 3,5 bilhões à taxa de câmbio oficial.

São medidas que jogam mais pressão em uma situação econômica já terrível, com o país caminhando para a sua sexta recessão em uma década, diante de uma inflação brutal e de uma moeda que já perdeu mais de 90% do seu valor nos últimos quatro anos.

Neste contexto, Milei conquistou seguidores com uma proposta radical de eliminar totalmente o peso e usar o dólar americano como moeda oficial da Argentina.

A medida, no entanto, é vista como bastante arriscada, e alguns economistas alertam que poderá alimentar ainda mais a inflação.

Isto sem falar em outras promessas bem mais polêmicas, que levanta preocupações sobre a capacidade de Milei de governar – em agosto, investidores apressaram-se a vender os títulos da Argentina quando o adversário de Massa despontou nas eleições primárias.

Por tudo isso, independentemente de quem vença o segundo turno, é muito pouco provável que a Argentina supere as atuais dificuldades econômicas nos próximos dois anos, o que é ruim também para o Brasil.

Brasil e Argentina têm uma forte parceria comercial há décadas. Trata-se do nosso terceiro maior destino de exportações, enquanto somos o principal comprador de produtos argentinos.

Mas a crise econômica enfrentada pelos nossos vizinhos há anos tem efeitos claros tanto na balança comercial brasileira, como no fluxo de capital entre os dois países. E esse cenário é tão crítico que não deve mudar no curto prazo, mesmo com as eleições.

A troca de comando envolve programas de governo bastante distintos e ainda não está claro quais os rumos do país e as consequências econômicas do futuro presidente.

Estão todos em compasso de espera, mas sem conseguir olhar para o futuro da Argentina de uma forma mais otimista.

Um abraço e até a próxima,

Gabriel Casonato

CNPI

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